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O por que da Marcas Imprimir E-mail

alt Lembro-me perfeitamente quando tinha apenas de 4 para 5 anos de idade, meu pai, doente vitimado pela terrível esquistossomose mansônica, recebia visitas médicas em nossa casa, do Dr. Luiz Augusto da Rocha Tenório, muito conhecido naquela região de Atalaia e circunvizinhanças por ser um dos usineiros da usina Ouricuri e que posteriormente foi prefeito daquele município.

Pois bem, eu me lembro perfeitamente desse passado distante, mas que continua impregnado na minha memória:

 o Dr. Luiz Augusto era médico, chegava lá em casa e parava o seu Austin of England, verde claro, para consultar o meu pai, pobre agricultor de um país que nunca deu o devido valor aos agricultores, esses verdadeiros heróis anônimos, pois foram e continua sendo os esteios que sempre sustentou esta pobre-rica nação.

Aquelas lembranças sempre ficaram encravadas na minha memória até que nos meus 7 a 8 anos, quando do término do primeiro ano primário, Dona Luzia Tibúrcio de Melo, minha eterna professora, me perguntou o que eu queria Ser quando crescesse; não tive dúvidas e respondi: quero ser médico dona Luzia. Mesmo eu tendo conquistado o primeiro lugar da minha turma em conhecimentos, pois os boletins constatavam isso, houve uma grande repercussão negativa no que diz respeito às pessoas do lugar, especialmente da parte rica dos meus familiares (por parte de meu pai): imagine um menino desse que nem pai tem, pobre como Jó, querendo ser médico? Eles acharam aquilo uma grande piada e eu aqui estou, apesar de tudo, pois só Deus e eu sabemos as esquinas por que passei e os desertos que atravessei... para chegar até aqui, parafraseando o nosso conterrâneo, o Grande Djavan.

Aprovado no vestibular, ingressei em Medicina, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e ainda no segundo ano daquele curso assumi a Monitoria da Disciplina Parasitologia da referida instituição de ensino, onde ministrava aulas (mesmo sendo um simples monitor) para os estudantes de Medicina, Odontologia, Biologia, Enfermagem e Nutrição, do Curso Básico daquela Universidade.

Naquele tempo, entre uma aula e outra ou na preparação delas, inclusive de aulas práticas, discutia questões relativas com o meu eterno professor, Profo. Dr. José Geraldo Vergetti de Siqueira, sobre a possibilidade de se ensinar Conhecimentos Básicos de Educação Sanitária para os professores do Ensino Primário (hoje, Ensino Fundamental), com distribuição de material científico (uma espécie de cartilha) sobre conhecimentos das doenças mais comuns e prevalentes da região; objetivando que eles ensinassem aos seus alunos e estes ao voltar para seus lares pudessem repassar ou discutir com seus pais aqueles conhecimentos. Paralelamente, uma equipe de Educação Sanitária, devidamente treinada, passaria de casa-em-casa, levando Fundamentos de Educação Sanitária e Saneamento Ambiental para todos os patrícios numa grande Cruzada Sanitária e com isso fechando o ciclo de conhecimentos para as populações carentes e que sempre foram marginalizadas pelo poder público deste país, desde os tempos de Cabral.

Pouco tempo depois, como estudante do quarto ano de Medicina, ajudava as Comunidades Periféricas da região do Tabuleiro do Martins (Tabuleiro Velho, Tabuleiro Novo, Clima Bom, Santa Lúcia e Nova Brasília), atendendo as pessoas doentes e carentes, ou seja, que tinham parcos recursos financeiros, bem como, realizando diversos exames e fornecendo medicamentos (que arranjava com os representantes e também da antiga Central de Medicamentos (CEME) gratuitamente, contando sempre com o apoio do brilhante e grande Padre Darci de Souza Leite.Logo após a minha formatura, atuei numa Estação de Televisão (TV Alagoas, Canal 5), Programa a Vez do Povo na TV comandado pelo companheiro Sabino Romariz, de saudosa memória; ensinando Saúde Preventiva, sem ônus para a referida emissora, pois queria ministrar Fundamentos de Educação Sanitária e Saneamento Ambiental, assim como as nossas enfermidades mais comuns, para as populações periféricas e carentes marginalizadas por todos aqueles detentores do poder.

Escrevi para um determinado jornal da capital do nosso Estado (Maceió), temas como Educação Sanitária, Saneamento Ambiental, Saúde Comunitária, Universidade e Saúde Comunitária e as nossas velhas e conhecidas Doenças Endêmicas (doenças da miséria e da pobreza: Doença de Chagas, Esquistossomose Mansônica, Leishmanioses, Malária, etc.), que na realidade são Mazelas Sociais.

Ingressei na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM), e depois na antiga Escola de Ciências Médicas, hoje UNCISAL, onde aprofundei cada vez mais as questões relativas ao Saneamento Ambiental e Educação Sanitária, mergulhando profundamente na possibilidade de também um dia criar e treinar uma equipe de Educadores Sanitários de casa em casa para fechar o ciclo pós-treinamento com os professores que repassariam aqueles conhecimentos para os alunos, conforme preconizado.

A nossa visão de saúde sempre foi ampla, ou seja, fundamentalmente de mecanismos de prevenção e promoção da saúde e não de pensar em saúde como tratamento apenas de enfermidades, ou seja, com uma visão muito estreita e cega do contexto saúde; pois isso não representa cuidar da saúde, mas de promover cada vez mais a doença, uma prática comprovadamente arcaica, obsoleta e ultrapassada pelos mais modernos Sistemas e Serviços de Saúde existentes no planeta.

Essa idéia de saúde dentro de um contexto HOLÍSTICO E INTEGRAL possibilitou que pensássemos numa saúde não compartimentalizada, mas dentro de uma visão multiprofissional e interdisciplinar, pois sendo saúde um bem maior que depende de todos os demais é necessário que se pense nela dentro de uma política social de governo e não como apenas um elemento setorizado.

Dessa maneira, aperfeiçoamos cada vez mais a idéia de que só se faz saúde se houver um planejamento integral e total de todas as políticas públicas e a saúde como resultante deste contexto. Depois de toda essa reflexão, surge a MARCAS, como o resultado de décadas de pensar, de agir e refletir SAÚDE como forma de alcançar os objetivos almejados e dessa maneira contribuir para com os setores públicos e privados em repensar, recriar, redefinir e fazer saúde conforme NOSSA VISÃO.

O cumprimento deste objetivo trará frutos benéficos para os municípios de um país que ultrapassou o século XXI e ainda tem suas criancinhas eliminando vermes pelo nariz ou pela boca, raquíticos e com a dentição que faz vergonha a qualquer ser humano que tenha pelo menos um mínimo de dignidade. Mesmo sabendo-se que a Conferencia Mundial de Saúde de Alma-Ata (no Casaquistão), em 1.978, preconizava SAÚDE PARA TODOS no ano 2.000.

Portanto, queremos colaborar para que as nossas crianças possam ter um futuro melhor e com isso ganha o Brasil, POIS O MAIOR CAPITAL DE UM PAÍS É O SEU POVO, sem sombra de dúvida, tema este que os governantes precisam refletir. Pensando e agindo assim juntos, não teremos dúvida de que um dia seremos, não esse grandalhão desajeitado que dorme em berço esplêndido, mas uma grande nação acordada e devidamente equilibrada.

Certos de que estamos dando os primeiros passos de uma longa jornada, algumas distorções que possam ocorrer, corrigiremos no andar da caminhada, pois temos pressa em realizar algo de concreto, não sendo mais permitido perder tanto tempo para tratar com seriedade de problemas de saúde que deveriam ter sido resolvidos pelo menos há 5 ou 6 décadas passadas.

Dessa forma, estaremos plenamente realizados quando a MARCAS contribuir de maneira decisiva para que todos (SETOR PÚBLICO E PRIVADO) possam repensar SAÚDE dentro desse novo conceito e assim contribuir para a melhoria do padrão sanitário das populações, especialmente as marginalizadas.

Maceió, 01 de Junho de 2.008.

Mário Jorge Martins.

 

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