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Parabéns Prof Vergetti Imprimir E-mail

(Editorial de Abril de 2.009)

No meio de eminentes estrelas da constelação científica da ciência, do conhecimento e do saber da nação brasileira, Osvaldo Cruz e Pirajá da Silva foram, sem sobra de dúvida, duas grandes expressões. Osvaldo Cruz, entre seus inúmeros feitos, combateu a varíola, erradicou a febre amarela e a peste bubônica na então capital da República, a cidade do Rio de Janeiro; e o Grande Baiano Manoel Pirajá da Silva, por ter descoberto uma espécie de Schistosoma com espículo lateral que o denominou de Schistosoma americanus (o nosso Schistosoma mansoni atual) e assim estabelecendo uma tremenda guerra científica com o alemão Loss, considerado o Papa da Parasitologia Mundial na época. Para sobrepô-lo teve que publicar seus trabalhos em vários idiomas, pois o alemão não acreditava ser uma nova espécie de Schistosoma, mas o Schistosoma haematobium (que possui espículo terminal) não fertilizado.

Finalmente, o Grande Loss se curvou diante dos argumentos de Pirajá da Silva, provando para o mundo inteiro que conhecimento científico nunca foi nem será apanágio dos grandes Centros Mundiais de Pesquisa dos Países Ricos, mas sim de todos aqueles que diuturnamente estudam e pesquisas nos quatro cantos deste nosso planeta.

Pois é, senhoras e senhores, o grande feito, entre outros, de Pirajá da Silva está completando um século neste ano e para esse grande acontecimento da Ciência Brasileira foi comemorado na "Boa Terra", recentemente. Para coroar ainda mais o brilhante brasileiro foram outorgadas medalhas de "Honra ao Mérito" para aqueles poucos brasileiros que se dedicaram grande parte de suas vidas ao estudo e ao combate ao verme trematódeo.

E como não poderia ser diferente, lá estava o nosso brilhante professor, Dr. José Geraldo Vergetti de Siqueira que como poucos, pesquisou e trabalhou incansavelmente combatendo os caramujos transmissores, detectando e tratando os indivíduos parasitados entre inúmeras outras coisas que realizou, inclusive sendo um Grande Professor Educador.

Por ser um grande pesquisador, conhecedor profundo das endemias brasileiras em sua luta diária, foi reconhecido pelo então Ministro da Saúde Paulo de Almeida Machado quando da implantação do Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE) em 1.976, escolhendo a cidade de União dos Palmares, Terra dos Vergettis, e por ter sido o grande centro aglutinador e dispersor da esquistossomose neste país, pois naquela época, no apogeu do "Quilombo dos Palmares" existiam 30 mil almas morando no citado Quilombo, a metade da população brasileira daqueles tempos.O "Quilombo dos Palmares foi o mais importante de todos os quilombos, iniciado no final do século XVI (com algumas dezenas de escravos fugitivos) e manteve-se por todo o século XVII. O quilombo era constituído por dezenas de aldeias denominadas mocambos (aglomerados de casas). "O Quilombo dos Palmares" ocupava mais de mil léguas quadradas (6.000 km2), compreendendo uma faixa de terra paralela à costa, com 200 quilômetros de largura por 360 km de extensão, encravado nos estados de Alagoas e Pernambuco, desde o Cabo de Santo Agostinho (região de Serinhaém e Barreiros), em Pernambuco, até a Serra dos Dois Irmãos e Bananal (município de Viçosa), em Alagoas; e cujo centro geopolítico foi a cidadela Real dos Macacos, situada na Serra da Barriga. No pé desta, localiza-se a cidade de União dos Palmares, que se constitui até hoje, num dos focos de maior prevalência para a esquistossomose mansônica do país.

Profo Vergetti, a sua idéia de implantar um diagnóstico extremamente simples e barato através da eclosão do miracídio (sem ser preciso utilizar milhares de microscópios caros) foi atropelada pela ganância daqueles comerciantes da miséria do povo que determinaram o método coproscópico caro e mais demorado.

Mas o Senhor venceu, meu querido "Miracídio Vermelho", apelido cunhado pelo pessoal da antiga FSESP, que preferiam cavar poços nas fazendas dos ricaços que trabalhar construindo módulo sanitários decentes para a classe trabalhadora rural, os nossos decentes patrícios do campo.

Esta medalha de Pirajá da Silva vai se juntar a uma outra medalha, a maior de todas, a de Osvaldo Cruz, o maior mérito que se pode dar a um pesquisador tupiniquim. Agora o Senhor tem as duas, sendo isto um privilégio de bem poucos neste país. Neste país que ainda existem inúmeras crianças eliminando vermes pela boca ou pelo nariz, neste país onde meia dúzia de calhordas se beneficiam da miséria dos nossos milhões de irmãos esquistossomóticos que nascem vivem e morrem vítimas desta terrível "doença invencível" e não sabem nem como nem porque.

Profo Vergetti, como a Febre Amarela era considerada por Osvaldo Cruz a grande "Vergonha Nacional" e o Rio de Janeiro o "Túmulo dos Estrangeiros" quero lhe afirmar que para mim o Senhor é o nosso Osvaldo Cruz Moderno.

Por isso, eu proclamo a todos aqueles que possam lutar e levantar esta nossa bandeira: para que a nível Estadual posso ser instituída a "Comenda de Honra ao Mérito Profo Vergetti" que seria a maior Honra prestada para aqueles que mais se destacarem em Saúde Pública a cada ano no Estado de Alagoas. Quem sabe isto não poderia partir da UNCISAL, UFAL e consubstanciada pela Secretaria de Estado da Saúde e Conselho Regional de Medicina, Sociedade de Medicina de Alagoas e demais órgãos vinculados a Saúde Pública deste Estado.

Isso seria um privilégio para todos aqueles que perseguem e lutam pelo conhecimento científico, por todos aqueles que com as suas pesquisas conseguem romper as paredes dos laboratórios e seus resultados de pesquisas chegaram às comunidades, beneficiando a todos, o que sempre deveria ser feito.

Profo Vergetti, o Senhor sem sombra de dúvida, já está na história deste Estado, se juntando a Deodoro, Floriano, Tavares Bastos (o maior senador da história do Império), Theo Brandão, Teotônio (o maior senador da história da República), D. Avelar Brandão Vilela, Artur Ramos e tantos outros que contribuíram decisivamente para engrandecer esse nosso pequeno e pobre estado.

Obrigado não somente do fundo do meu coração, mas também do fundo das minhas interconexões neurais pelo fato do Senhor Existir.

Maceió, Abril de 2.009.

Profo Mário Jorge Martins.

Professor Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) – Brasil.

 

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