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Doenças da Globalização Imprimir E-mail

(Editorial de Junho de 2.009)

1 – Introdução – as chamadas doenças da globalização ou doenças infecciosas emergentes são as que surgiram recentemente, ou seja, a partir do final do século passado (por volta da década de 1.970-1.980) numa população ou aquelas que ameaçam expandir-se num futuro próximo. Doenças infecciosas reemergentes são aquelas causadas por microorganismos bem conhecidos que estavam sob controle, mas que se tornaram resistentes às drogas antimicrobianas comuns (por exemplo, malária, tuberculose, as leishmanioses, doença de Chagas, etc.) ou estão expandindo-se rapidamente em incidência ou em área geográfica (cólera nas Américas). Entre as doenças infecciosas emergentes, citam-se HIV/AIDS, as hantaviroses, a doença pelo vírus ebola, o dengue e o dengue hemorrágico, o cólera, a SARS, a gripe de frango, entre outras.2 – Fatores Causais – informações e bens de consumo circulam pelo mundo hodierno, no qual as distâncias vão sendo cada vez mais encurtadas e na mesma velocidade com que se dão as trocas comerciais e de serviços, porém, circulam bactérias e vírus.

As facilidades de transportes, viagens, turismo e comércio entre as diversas nações do mundo, tornam fácil e rápida a disseminação de um patógeno que surge numa população localizada numa área geográfica remota para diversas partes do mundo. Ela pode sair de um vilarejo para uma cidade pequena ou média, através das estradas vicinais e daí para cidades maiores através das auto-estradas ou de avião para outros grandes centros urbanos, localizados até mesmo em outros continentes, ou seja, em qualquer lugar do mundo, num espaço de apenas 24 horas.

Com 2,1 bilhões de passageiros de avião viajando pelo mundo só em 2006, novas doenças infecciosas estão surgindo em uma taxa sem precedentes, de ao menos uma por ano desde a década de 1.970, segundo o relatório anual do órgão para saúde da ONU.

Nos últimos 15 anos, a OMS detectou mais de 1.100 epidemias pelo mundo, como o cólera e a gripe aviária, e há 39 novas doenças que eram desconhecidas da geração passada.
Está ocorrendo uma "grande mudança" nas "nossas relações com o mundo animal e nossos comportamentos de viagens, social e sexual mudaram nosso vínculo com o mundo microbiano". O resultado "é a aparição de novos agentes patológicos e a sua dispersão pelo mundo". O o crescimento da população, a rápida urbanização (de forma desorganizada), a caça e pesca predatórias, o tráfico de animais, a agricultura intensiva, o uso de defensivos agrícolas (inseticidas ou biocidas), o mau uso de antibióticos, efeito estufa, entre outros, fomentam o desenvolvimento e a mutação dos insetos e micróbios.

Seis doenças infecciosas matam, por ano, 13 milhões de pessoas no mundo, o equivalente a cerca de 25% das mortes do planeta. A maioria dos mortos por AIDS, malária, tuberculose, pneumonia, sarampo e diarréia é formada por jovens, de países em desenvolvimento.

Mas esse quadro também afeta os desenvolvidos - na Europa, países como o Reino Unido e a Alemanha têm enfrentado surtos de tuberculose, moléstia considerada sob controle a partir do desenvolvimento da estreptomicina, na década de 1.940.

As altas temperaturas causam preocupação pela ajuda que dá à movimentação dos mosquitos transmissores de agentes de doença como a malária, as arboviroses como o dengue e outras.

Percebe-se claramente que os fenômenos da emergência e reemergência de doenças infecciosas são resultados negativos da ação predatória do homem sobre os sistemas naturais, que termina voltando-se contra e sobre si mesmo. A degradação dos os sistemas ecológicos planetários no ritmo que se encontra atualmente vai, inexoravelmente, caminhar para a degradação extrema.

Entre as inúmeras patologias que estão surgindo neste nosso mundo de emergentes estão as novas enfermidades como a AIDS, a Febre do Dengue, a Febre Hemorrágica do Dengue, a Doença pelo Vírus Ebola, a Doença pelo Vírus Marburg, as Hantaviroses (síndrome pulmonar por hantavírus), a Encefalite Espongiforme ("síndrome da vaca louca’’), a Febre do Oeste do Nilo, a Doença de Newcastle, a Doença dos Legionários, as Hepatites B e C, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) - doença viral de transmissão respiratória com uma letalidade relativamente alta e capaz de se disseminar pelo planeta -, e mais recentemente, a gripe do frango, entre outras". A ciência conseguiu erradicar uma enfermidade terrível – a varíola, declarada extinta em 1.980. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1997), cerca de 17 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo, por doenças infecciosas emergentes ou reemergentes, ocorrendo 1.500 mortes a cada hora.Paradoxalmente, o progresso também abriu espaço para o aparecimento de novas doenças e a expansão de algumas mais antigas. Desde 1.970 foram descobertos pelo menos trinta novos vírus letais, entre eles o HIV (causador da AIDS) e o Ebola, que mata nove entre dez infectados. A maioria deles começou quando um ser humano foi infectado com vírus de algum animal. A AIDS humana é descendente de um vírus que originalmente só era encontrado nos chimpanzés – é de supor que a transmissão tenha começado quando caçadores africanos comeram um animal infectado.

Os vírus e outros microorganismos patogênicos estão literalmente "voando" sobre as aglomerações urbanas, especialmente nas grandes cidades, transportados por vetores-reservatórios (especialmente, os mosquitos) e infectando os organismos humanos; ambos "voando" em aviões de carreira. Com uma economia totalmente globalizada, um agente infeccioso ou mesmo um inseto transmissor pode pegar uma "corona" num avião de carreira e cruzar o mundo num período de menos de 24 horas, como recentemente ocorreu com o vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), causando pânico em todo o mundo.Para uma Reflexão – as doenças emergentes e reemergentes que aparecem no mundo hodierno é o resultado da falta de consciência do homem ao invadir os ecótopos naturais, assim como também devido à ganância humana, num mundo onde o verbo ter, infelizmente, é mais importante que o ser.

Inúmeras causas devem ser apontadas como as alterações climáticas e ambientais, aliadas ao desmatamento e queimadas, a caça e a pesca predatórias, o comércio de animais, o turismo ecológico, entre outras; pois o homem penetra em habitats e nichos ecológicos até então desconhecidos ou isolados; entrando em contato com organismos, cuja ação não é reconhecida, trazendo consigo novos patógenos, rompendo-se desse modo à barreira das espécies.

O efeito estufa criado pelo homem, é um dos motivos para o aparecimento das doenças emergentes e como conseqüência ocorrem as alterações climáticas e ambientais que o planeta vem passando. O aumento da temperatura provoca uma maior movimentação dos mosquitos transmissores de agentes de doença como a malária, do dengue, entre outras. O uso descontrolado de inseticidas fez surgir insetos resistentes ("superinsetos"), inviabilizando o combate aos agentes de doenças transmitidos, por eles (febre amarela, dengue, filariose, malária, etc.). O uso indiscriminado de antibióticos tem criado micróbios resistentes à maioria dos medicamentos conhecidos, como é o caso da Mycobacterium tuberculosis, já referida.

As substâncias bactericidas utilizadas em sabões, sabonetes e detergentes podem proporcionar o crescimento de bactérias super-resistentes, pois os esforços para tornar o ambiente livre de bactérias que poderiam ser eliminadas simplesmente com uma lavagem mais vigorosa. O hábito de lavar tudo o que se toca com detergentes bactericidas e tomar antibióticos ao primeiro sinal de gripe pode perturbar o balanço natural dos microrganismos no ambiente, e nesse caso apenas as superbactérias acabam sobrevivendo.

Uma lição deve ser aprendida sempre que ocorre uma grande epidemia neste mundo globalizado: é a necessidade de todas as epidemias serem reportadas rapidamente e abertamente, o que influencia o risco da difusão além-fronteiras. Deve ser reconhecido que, em um mundo globalizado, a preço por esconder epidemias por medo das conseqüências sociais e econômicas é muito caro, como aconteceu recentemente com a SARS. Não existem mais ilhas de segurança no mundo, pois não há paredes ou fossos impenetráveis entre o mundo rico, opulento, alimentado e saudável e o mundo pobre, miserável, subnutrido e doente.

Por outro lado, o descaso das autoridades governamentais, devido à falta de um adequado planejamento, execução, supervisão e avaliação das atividades relacionadas com a área de saúde, fomentam o aparecimento das doenças emergentes e reemergentes, atestando o descaso e a incompetência de nossas autoridades, pois eles gastam pouco e mal.

As dietas de baixa qualidade levam a mutações que criam formas mais perigosas do vírus influenza e podem contribuir para a ocorrência de novos surtos virais, desde gripe comum, a febre hemorrágica do Ebola, as hantaviroses, até a AIDS, entre outras.

O fenômeno conhecido como globalização, onde as facilidades de transportes, viagens, turismo e comércio entre as diversas nações do mundo, tornam fácil e rápida a disseminação de um patógeno que surge numa população localizada em determinada área geográfica remota para diversas partes do mundo.

Ele pode sair de um vilarejo para uma cidade pequena ou média, através das estradas vicinais e daí para cidades maiores através das auto-estradas ou de avião, para outros grandes centros urbanos, localizados até mesmo em outros continentes, ou seja, em qualquer lugar do planeta.

A globalização, sem sobra de dúvida, veio pra ficar e eles aproveitaram também para globalizar a exclusão social e com ela o analfabetismo e a miséria, que destroem as perspectivas de uma vida digna e como conseqüência a decadência da espécie humana (semelhança do Criador) em todo o planeta Terra, numa verdadeira inversão de valores humanos e cristãos, infelizmente.

Maceió, Junho de 2.009.Profo

Mário Jorge Martins.

Médico e Professor Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) – Brasil.

 

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