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Problemas Ecológicos Globais l - Parte I Imprimir E-mail

(Poluição Ambiental - Parte - I)

(Editorial de Agosto de 2.009)

1 – Introdução – a Natureza compreende o conjunto dos seres naturais, isto é, não criados pela mão do homem, portanto, o natural se opõe ao artificial, elaborado e criado pelo ser humano. No entanto, o próprio homem, como ser vivo, está sujeito às leis naturais, sendo resultado da conjunção delas e ao mesmo tempo em que está imerso na natureza. Esse fato, evidente para as culturas primitivas, antigas e atuais, tem sido de certo modo esquecido no mundo contemporâneo tecnológico e urbanizado.

O homem primitivo estava à mercê da natureza e a ela subjugado, mas se sentia também seu filho, e como tal se relacionava com o meio. Laços mitológicos profundos ligavam-no a esse ambiente, como comprovam manifestações totêmicas observadas em várias culturas. O instinto de sobrevivência e a curiosidade impeliram o ser humano a estudar o meio que o cercava e a resolver a seu modo as questões e a inquietação que o enigmático e ameaçador mundo natural lhe suscitavam. Assim surgiram os mitos, as artes e o conhecimento empírico dos acontecimentos e fenômenos naturais. Ciclos e ritmos, vida e morte, sucessão das estações, dia e noite constituíram as referências e balizamentos que guiavam a atividade do homem primitivo e que nele geraram o senso de medida e a intuição de arraigadas leis naturais, às vezes esboçadas em relatos e lendas de caráter mitológico.

Mesmo antes da existência do homem, a própria natureza já produzia materiais nocivos ao ambiente, como os produtos das erupções vulcânicas e das tempestades de poeira. Na verdade, materiais sólidos no ar, como poeira ou partículas de sal, são essenciais como núcleos para a formação de chuvas. Quando, porém, as emanações das cidades aumentam desmedidamente tais núcleos, o excesso pode prejudicar o regime pluvial, porque as gotas que se formam são pequeníssimas para se precipitar sob a forma de chuva.

Alguns tipos de poluição, sobretudo a precipitação radioativa e a provocada por certas substâncias lançadas ao ar pelas chaminés de fábricas, podem disseminar-se amplamente, mas em geral a poluição só ocorre em limites intoleráveis onde se concentram as atividades humanas.

Desde a Antigüidade há sinais de luta contra a poluição, mas esta só se tornou realmente um problema com o advento da Revolução Industrial. Já no início do século XIX registraram-se queixas, no Reino Unido, contra o ruído ensurdecedor de máquinas e motores. As chaminés das fábricas lançavam no ar quantidades cada vez maiores de cloro, amônia, monóxido de carbono, metano, poeira de minas de carvão e fuligem, entre outros, aumentando a incidência de doenças pulmonares. Os rios foram contaminados com a descarga de grande volume de dejetos, o que provocou epidemias de cólera e febre tifóide. No século XX surgiram novas fontes de poluição, como a radioativa e, sobretudo, a decorrente dos gases lançados na atmosfera por veículos automotores.

Hoje, a humanidade pode se orgulhar de uma coisa: somos todos iguais, ilimitadamente poluidores, pois quase tudo o que fazemos, os equipamentos que utilizamos, os hábitos que praticamos, servem à causa de poluição. Tal como as plantas, os animais e todos os seres vivos, o homem poderia integrar-se harmoniosamente com o seu ecossistema, entretanto, muitos dos elementos que ele considera como necessários à sua felicidade e sobrevivência, tornaram-se seus maiores inimigos. Isso ocorreu com relação à água, ao ar, ao solo, pois na verdade, não existem elementos mais fundamentais do que estes.

Estamos poluindo há aproximadamente 50% (ou muito mais) a mais do que a capacidade de recuperação do ambiente. Os governos precisam mentalizar que a política ambiental deve ser inserida no centro de todas as políticas públicas. Se a política ambientalista não for colocada como prioridade máxima, estaremos sempre correndo o risco cada vez maior de uma falência total do nosso macroecossistema, que é o planeta Terra, e com isso um banimento total da vida na Biosfera.

A alteração do equilíbrio biológico do nosso ambiente e os tantos focos de perigo que nós próprios criamos através da poluição do nosso espaço vital, quer terrestre, aquático ou atmosférico – todos esses sinais de alarma e suas conseqüências para cada um de nós em particular são de tal forma graves que não se pode ficar à espera de medidas legais que possam salvar o nosso planeta. Já tão-somente o nosso instinto de conservação deveria ser suficiente para nos livrar dos terríveis acontecimentos que se anunciam. No entanto, sabe-se muito bem que isso não acontece e que, a passos gigantes, devido o nosso afastamento cada vez mais da vida natural, estamos colaborando para que o planeta Terra torne-se artificialmente inabitável a médio e em longo prazo.

O controle da poluição ambiental é uma das grandes preocupações hodiernas, especialmente nos países desenvolvidos, visando não só a proteção do homem, bem como a prevenção de recursos naturais. Fenômeno estreitamente vinculado ao progresso industrial, a degradação das condições ambientais tem aumentado de maneira considerável e preocupante nas regiões mais desenvolvidas do mundo, sobretudo a partir de meados do século XX.

Do ambiente depende a sobrevivência biológica e a atividade clorofiliana produz o oxigênio necessário para os animais vegetais e demais seres viventes. A ação de animais, plantas e microrganismos garante a pureza das águas nos rios, lagos e mares; e os processos biológicos que ocorrem no solo possibilitam as colheitas. A vida no planeta está ligada ao conjunto desses fenômenos, cuja inter-relação é denominada ecossistema. A poluição, processo natural recuperável, é o resultado da presença de uma quantidade inusitada de matéria ou energia (gases, substâncias químicas ou radioativas, rejeitos, etc.) em determinado local, sendo por isso, essencialmente obra do homem em sua atividade industrial.

Nada existe na terra, nos ares e nos mares em pleno estado de equilíbrio. Os milhões de produtos químicos que percorrem todos os complexos de vida "as teias alimentares" da terra e através do fenômeno conhecido como magnificação bio1ógica, quando incorporado também aos seus patrimônios genéticos, provocam as sutis e insondáveis mutações. Já os excessos de poluentes bióticos ou abióticos carreados para os sistemas eco1ógicos dão-nos uma clareza evidente que todas as manifestações do binômio saúde-doença estarão sempre relacionados e dependentes do equilíbrio do macrosistema que nos envolve, dos quais dependemos para o bom funcionamento do nosso microsistema bio1ógico.

2 – Definição – o termo poluição é derivado do latim polluere = sujar; e pode conter uma série de significados - manchar, corromper profanar, estragar, macular, entre outros. Mas, somados, divididos, subtraídos ou multiplicados, o resultado é o mesmo: desequilíbrio do ambiente. Poluição é o termo empregado para designar a deterioração das condições físicas, químicas e biológicas de um ecossistema, que afeta negativamente a vida humana e dos demais seres vivos. A poluição modifica o ambiente, ou seja, o conjunto de relações no qual a existência de uma espécie depende do mecanismo de equilíbrio entre processos naturais destruidores e regeneradores.

Uma outra definição de poluição diz respeito a qualquer alteração ambiental que possa causar prejuízos ao ser humano, bem como às outras formas de vida (a flora, a fauna, os fungos e a microbiota) que habitam este meio, ou que seja prejudicial a qualquer aspecto ou atividade definida para ele.

Pode-se ainda definir poluição como a introdução generalizada de um elemento (ar, água ou terra) de materiais sólidos, líquidos e gasosos, radioativos ou não, capazes de alterar os ambientes naturais e potencialmente daninhos para a vida dos organismos. Embora existam causas naturais de poluição, esta deve-se em grande parte à ação nefasta do homem. Desse modo, qualquer alteração produzida pela introdução de poluentes no ambiente, pode ser entendida como poluição.

No Brasil, a legislação (Lei n o 6.938, de 31 de agosto de 1.981) define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante da atividade que direta ou indiretamente:

a – prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;

b – atingem condições adversas às atividades sociais e econômicas;

c – comprometem desfavoravelmente a biota;

d – afetem as condições estéticas ou sanitárias do ambiente.

e – lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.

 

Num sentido bem amplo, poluição é qualquer mudança nos fatores ambientais que prejudique os seres vivos. Em outras palavras, é qualquer desequilíbrio: físico, químico ou biológico do ambiente.

Os produtos de excreção e restos dos seres vivos, lançados no meio, se permanecerem muito tempo inalterados, podem ser causas de poluição. O que ocorre normalmente na Biosfera é a rápida decomposição do material de excreção e do resto dos seres vivos, em seus componentes mais simples: água, gás carbônico e sais minerais. Esse processo, chamado biodegradação, é realizado pelos organismos decompositores: os sapróvoros ou saprófagos (os saprófitos e os saprozóicos) do fim das cadeias alimentares.

As substâncias finais devolvidas ao meio ambiente mantêm o equilíbrio ecológico. No entanto, existem resíduos que não são decompostos ou que se decompõem muito lentamente. Esses detritos tornam-se inconvenientes, pois, permanecendo muito tempo inalterados no ambiente, podendo ser tóxicos ou mesmo letais para muitos organismos. Por isso, todos os resíduos humanos, resultantes do desenvolvimento tecnológico e da industrialização, são fatores de poluição, pois eles se acumulam muito rapidamente e a maioria não é biodegradável.

Um dos grandes motivos da poluição ambiental é a alta concentração humana em determinadas áreas urbanas, pois as grandes densidades populacionais determinam acúmulo de resíduos humanos e industriais, e isto pode ser altamente prejudicial a inúmeros seres vivos, inclusive ao próprio homem.3 – Poluentes – os fatores que determinam a poluição são chamados poluentes, tais como: produtos de combustão, dejetos humanos, lixo doméstico, industrial e de outras origens, organismos patogênicos, gases tóxicos, solventes industriais, fertilizantes e defensivos agrícolas, radiações ionizantes, radioisótopos, ultra-sons, entre outros. Entretanto, esses agentes mencionados só são considerados poluentes quando ultrapassam determinadas quantidades. Para todos eles há níveis considerados normais ou inócuos e níveis indesejáveis ou perigosos. A determinação da qualidade do ar, por exemplo, é feita através de índices de poluição. Esses índices baseiam-se especialmente na concentração diária da poeira em suspensão e na concentração de dióxido de enxofre. Estudos demonstram que pequenas concentrações de poeira ou de dióxido de enxofre são consideradas inofensivas.

O uso indiscriminado de inseticidas pode ser considerado atualmente um fator de poluição bastante grave. Um exemplo é o DDT, que tem sido encontrado nas ostras e nos peixes marinhos, no leite das vacas e até nos ursos polares nos pingüins da Antártida, onde nunca foi aplicado diretamente. Este organoclorado é altamente tóxico e dependendo da concentração, pode provocar dores de cabeça, tonturas, vômitos, cólicas abdominais, dificuldade respiratória, problemas cardíacos e até a morte.

Os pesticidas, sem dúvida, trouxeram, uns elementos novos, estranhos, ao ambiente. A poluição química era, há um século, quase inexistente ou afetava áreas muito limitadas. Hoje, ela está em todo lugar e constitui uma mudança radical nas relações entre o ambiente e os organismos vivos, inclusive o homem.

A guerra química contra a natureza tem sido levada adiante em escala cada vez maior, por aproximadamente meio século. Antes da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos pesticidas era constituída de substâncias orgânicas não-persistentes, que existiam em ambientes naturais como a piretrinas, derivadas de plantas. Desde a guerra, o uso de pesticidas ou biocidas (destruidores de vida) atingiu tremendas proporções. Grande parte dessa luta contra os organismos vivos é dirigida contra os animais, principalmente os insetos. 4 – O Significado Ecológico da Poluição:

4.1 – Introdução – o principal efeito ecológico da poluição é a sua interferência nos processos de transferência de energia. Os seres vivos absorvem, utilizam e perdem energia e todos os seus processos vitais requerem energia. Esta energia em última análise é originária da luz solar, que é captada pelos vegetais e transferida para moléculas de substâncias orgânicas que eles sintetizam, como por exemplo, os açúcares. Quando um animal ingere esses vegetais (e conseqüentemente as substâncias por eles elaboradas, ricas em energia) há uma transferência de energia do vegetal para ele.Este tema continua no próximo mês...

Maceió, Agosto de 2.009.

Profo Mário Jorge Martins.

Professor Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) – Brasil.

 

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