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Problemas Ecológicos Globais l - Parte II Imprimir E-mail

Poluição Ambiental - Parte - II

Editorial do Mês de Setembro de 2.009

Continuação do editorial anterior...4.2 – Transferência de Energia – há basicamente dois tipos de transferência de energia: a translocação (transferência de energia, substância nutritiva ou produtos do metabolismo de uma parte para outra, e nesse caso de um ver vivo para outro) e a degradação. Na primeira, a energia é transferida de um tipo de ser (o vegetal, por exemplo) para quem dele se alimenta (o herbívoro). Cada um desses tipos de seres (vegetais, herbívoros, carnívoros e decompositores) pertence a um grupo que denominamos "nível trófico".

O segundo tipo de transferência de energia é a degradação (deterioração), ou seja, a mudança de um tipo de substância química, com elevado teor de energia, para outro, com pouca energia, havendo no processo produção de calor. Essa transferência ocorre especialmente nos processos fisiológicos que cognominamos respiração.

Desse modo, pode-se conceber um fluxo de energia a partir da luz solar, sendo absorvida pelos vegetais verdes, os produtores primários, que por sua vez, são comidos pelos carnívoros, os consumidores secundários, que ao serem devorados, transferem para os demais níveis das cadeias alimentares.

Na passagem de energia de um nível trófico para outro (o conjunto dos seres com o mesmo tipo de alimentação), há perdas de energia, por exemplo, pela respiração. A poluição, por exemplo, do mar pode interferir em todas as etapas citadas acima, ou seja:

a – na translocação de energia do Sol para o vegetal;

b – na síntese de matéria orgânica pelo vegetal;

c – na degradação de energia pela planta;

d – na transferência de energia para os herbívoros;

e – na deterioração de energia dos herbívoros;

f – no transporte de energia para os carnívoros;

g – na transmissão de energia para os decompositores;

h – na destruição dos restos ou cadáveres dos seres vivos.

 

A poluição interfere nesses processos, através de modificações no teor de nutrientes dissolvidos na água do mar, na demanda bioquímica de oxigênio (DBO), na quantidade de matéria orgânica particulada presente na água, na presença de inibidores, de venenos, do aumento do calor, entre inúmeros outros fatores.

A adição de sais nutrientes (fosfatos, nitratos, carbonatos silicatos e outros) por esgotos, indústrias de adubos, culturas vegetais, entre outros, no mar permite um grande crescimento vegetal, fenômeno conhecido como eutroficação. Isso torna a água esverdeada, amarelada, avermelhada, pardacenta, etc., e reduz a penetração no mar da luz necessária à fotossíntese, bem como diminui o teor de oxigênio dissolvido nela e que é indispensável à respiração. Tudo isso traz como conseqüência sérios problemas para todos os seres vivos, inclusive para os próprios vegetais, animais, e entre eles, por exemplo, a morte de peixes por asfixia. Esse processo de eutroficação leva a uma profunda modificação em todas as transferências de energia, na qualidade e composição das comunidades marinhas.

O material de esgotos, rico em matéria orgânica, a presença de certas substâncias químicas e o processo descrito acima de eutroficação, provocam forte redução no teor de oxigênio dissolvido e, conseqüentemente, uma limitação da respiração e da atividade de organismos que necessitam então utilizar grandes quantidades de energia para sobreviver.

A presença de material particulado na água do mar, devido à erosão da terra, por atividades de dragagem de canais e estuários, resíduos industriais, domésticos, e outros, provoca redução da penetração de luz no mar e da energia disponível à fotossíntese como já descrito.

O aumento da turbidez da água prejudica a visão dos animais predadores e a sua possibilidade de encontrar as presas. Conseqüentemente, reduz a transferência de energia para os herbívoros e carnívoros. Esse turvamento hídrico pode provocar o enterramento dos animais que vivem no fundo do mar (bentos), impedir que as larvas de ostras se fixem e sobrevivam, provocar a morte de ovos de peixes, enfim, prejudicar toda a comunidade biótica marinha, reduzindo sua eficiência ou provocando sua morte.

5 – Tipos de Poluição – a poluição e seu controle são em geral tratados em três categorias naturais: poluição do solo, da água e do ar. Estes três elementos também interagem e em conseqüência têm surgido divisões inadequadas de responsabilidades, com resultados negativos para o controle da poluição. Os depósitos de lixo poluem a terra, mas sua incineração contribui para a poluição do ar. Carregados pela chuva, os poluentes que estão no solo ou em suspensão no ar vão poluir a água e estas substâncias quando sedimentadas, acabam poluindo a terra. 6 – Poluição Ambiental Produzida Pelo Lixo:

6.1 – Poluição do Solo – o lançamento de resíduos ou de produtos químicos nos terrenos baldios podem acarretar sua poluição. As substâncias químicas poderão ser acumuladas pelos vegetais terrestres cultivados em solos utilizados anteriormente como depósito final para os resíduos; como no caso de metais pesados, restos de fertilizantes químicos, defensivos agrícolas, entre outros. A partir do solo, pode ocorrer a poluição de águas superficiais e/ou subterrâneas.

Esta é uma forma de poluição criada pelo homem como produto de uma sociedade desperdiçadora, ou seja, vive-se numa coletividade que tudo é feito para consumir a qualquer custo. Este tipo de poluição, nos países industriais, é encontrado em quase todos os lugares como um traço "normal" da paisagem e em países subdesenvolvidos esta situação é deplorável, pois está igualmente começando a tomar forma.

Na realidade, a remoção de detritos sólidos sempre se constituiu num problema para a humanidade. Os efeitos desses resíduos acumulados no solo são fáceis de se perceber, ao contrário das grandes quantidades que são lançadas nos oceanos, mares, lagos e rios, sem haver a menor preocupação com a contaminação dos lençóis freáticos. Na maioria dos centros urbanos, não é mais possível à solução de se incinerar o lixo, porque a poluição do ar produzida pela queima é maior (pior) que a do solo. Querendo livrar-se dos resíduos sólidos e usando-os para aterrar baías, pântanos, alagadiços, desnivelamento de terrenos, entre outros, o homem não está resolvendo um problema, porém, criando um outro ainda mais sério. Estas áreas aterradas por lixo, tornam-se inadequadas à recreação e a conservação de zonas silvestres, a não ser quando devidamente tratadas.

Algumas cidades nivelam suas depressões profundas com os refugos criados pela sociedade de consumo; outras entulham tanto lixo que se transformam em verdadeiros montes artificiais, cobrindo-os com terra; porém cada vez mais esta montanha cresce e a quantidade de detritos torna-se diretamente proporcional à tecnologia, o que se torna paradoxal.

Um problema muito sério que enfrenta atualmente os Estados Unidos e outros países chamados "desenvolvidos", é o acúmulo de resíduos sólidos em depósitos ao ar livre ou em recipientes inadequados. Não é apenas problema de estética que essa quantidade de lixo acarreta, mas quando ocorre infiltração por parte de água processando a sua lixiviação, o chorume formado polui os lençóis subterrâneos. Além disso, esses terrenos baldios, verdadeiros depósitos de lixo a céu aberto, produto do desperdício da "Sociedade Moderna", tornam-se locais propícios à proliferação de vetores de elementos patogênicos. Os materiais descartados pela nossa sociedade de consumo apresentam uma vida média bastante variável, conforme se verifica no quadro 02.

Esses métodos de resolver o problema dos resíduos atualmente estão totalmente ultrapassados, pois a possibilidade de enterrá-lo, representa um método inadequado, além de ser muito caro. Acumulá-lo em depósitos, corre-se o risco de transferir a poluição para as águas, bem como, origina-se a poluição através da poeira. A incineração do lixo é uma forma que a França e outros países da Europa têm adotado em combinação com a produção de energia. Isto seria o ideal, se houvesse um certo cuidado, porque esta atividade pode apenas transferir a poluição terrestre pela do ar.

Portanto, devemos nos convencer de que, ou o homem produz aparelhos, máquinas, embalagens e outros artigos (utensílios), de tal maneira que possam ser reciclados, ou ele vai acabar sentado numa verdadeira montanha de entulhos produzidos por esta sociedade desperdiçadora.

6.2 – Poluição da Água – a contaminação dos lençóis freáticos superficiais e profundos por substâncias originárias de depósitos de resíduos é uma das maiores questões que envolvem a Saúde Pública. Os mananciais contaminados poderão ficar comprometidos por muito tempo e seu uso, pela ingestão direta da água ou do consumo de animais e vegetais aquáticos originários de fontes superficiais contaminadas, poderão comprometer a saúde das populações. Vegetais irrigados com água contaminada por chorume ou despejo de resíduos também poderão causar problemas relacionados com a saúde dos indivíduos.

Destaque-se também, a questão dos resíduos que não são coletados pelo serviço público, quando são depositados de forma incorreta (nos logradouros, rios, valas, sulcos ou regos de escoamento, etc.), contribuem para o entupimento de canais ou galerias que drenam águas pluviais, sendo um dos elementos fundamentais responsáveis pelas inundações que infernizam as cidades em épocas de tempestades e acompanhadas de surtos de leptospirose, entre outras doenças, conforme já referidas.

6.3 – Poluição do Ar – como as anteriormente citadas, este tipo de poluição poderá ocorrer em comunidades situadas próximas aos lixões (tabela 09), produzindo enfermidades do trato respiratório, tanto pela inalação da poeira em suspensão, como pelo efeito irritador de algumas substâncias voláteis que exalam, provocando cefaléia, náuseas e outros malefícios citados anteriormente. Também ocorrem distúrbios relacionados com a visão, uma vez que as substâncias picantes existentes no ar, provocam irritação e conseqüente inflamação das mucosas oculares produzindo uma série de lesões. A fumaça oriunda da queima do lixo irrita os olhos, provocam doenças pulmonares (asma brônquica, etc.) e acelera o envelhecimento.7 – Conclusões – os diversos recursos ambientais são limitados e com o incremento do desperdício terão prazos cada vez menores de extinção. Por isso, a reciclagem é uma forma de adiar este prazo e contribuir de maneira evidente com uma boa política ambiental, com relação aos diversos tipos e graus de poluição, sendo necessária uma consciência coletiva.

Entretanto, a mudança deve partir de cada indivíduo e o ser humano neste início de milênio, deverá ter consciência de que os recursos naturais são finitos e que se forem mal gerenciados, poderão acarretar prejuízos irrecuperáveis. Por causa disso, a preocupação com o esbanjamento tem conquistado cada vez mais adeptos. No Brasil a cultura do desperdiçamento pode ser explicada pela baixa tecnologia que faz uso inadequado dos recursos, baixo nível de educação, mão-de-obra mal treinada e que adotam técnicas inadequadas ou obsoletas, o controle e o gerenciamento.

Além disso, deve-se refletir sobre o modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil, mas que é também mundial e está associado ao consumismo, e levando ao desperdício. Só que atualmente estamos chegando ao mesmo problema dos países mais desenvolvidos: o preço do terreno é muito alto e as pessoas não querem um aterro sanitário ao lado de suas casas, sendo necessário, portanto, reduzir a quantidade de lixo. Para isto, é necessário educar, para que novos valores sejam obtidos e, com isto, reduzir cada vez mais a geração de resíduos. Também existe fraca percepção da importância do investimento no ser humano, gerando desperdício social.

No entanto, vive-se num mundo em que a competição esta cada vem mais ditando as regras e com isso ajuda a perceber a falta do sentido do desperdício em vários setores. Na empresa, é a necessidade de aumentar os lucros ou de sobreviver; na sociedade, é a pressão por serviços adequados e universais; na produção em geral, é à busca de novos materiais e tecnologias mais avançadas. Além disso, a expansão urbana acelerada está forçando a administrador público a se preocupar com o ambiente e a criar políticas para preservar os bens naturais da região.

 

Maceió, Setrembro de 2.009.

Profo Mário Jorge Martins.

Professor Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) – Brasil.

 

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