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Problemas Ecológicos Globais – II Imprimir E-mail

(Poluição Ambiental Produzida Pelo Lixo)

(Editorial de Outubro de 2.009)

 

1 – Introdução – os depósitos de lixo a céu aberto, devido o seu destino inadequado produzindo aspectos desfavoráveis à salubridade ambiental, assim como, desmoronamento de encostas, desenvolvimento de odores desagradáveis, poluição do ar, da água, do solo e visual.

2 – Tipos de Poluição Produzidas Pelo Lixo:

2.1 – Poluição do Solo – o lançamento de resíduos ou de produtos químicos nos terrenos baldios podem acarretar sua poluição. As substâncias químicas poderão ser acumuladas pelos vegetais terrestres cultivados em solos utilizados anteriormente como depósito final para os resíduos; como no caso de metais pesados, restos de fertilizantes químicos, defensivos agrícolas, entre outros. A partir do solo, pode ocorrer a poluição de águas superficiais e/ou subterrâneas.

Esta é uma forma de poluição criada pelo homem como produto de uma sociedade desperdiçadora, ou seja, vive-se numa coletividade que tudo é feito para consumir a qualquer custo. Este tipo de poluição, nos países industriais, é encontrado em quase todos os lugares como um traço "normal" da paisagem e em países subdesenvolvidos esta situação é deplorável, pois está igualmente começando a tomar forma.

Na realidade, a remoção de detritos sólidos sempre se constituiu num problema para a humanidade. Os efeitos desses resíduos acumulados no solo são fáceis de se perceber, ao contrário das grandes quantidades que são lançadas nos oceanos, mares, lagos e rios, sem haver a menor preocupação com a contaminação dos lençóis freáticos. Na maioria dos centros urbanos, não é mais possível à solução de se incinerar o lixo, porque a poluição do ar produzida pela queima é maior (pior) que a do solo. Querendo livrar-se dos resíduos sólidos e usando-os para aterrar baías, pântanos, alagadiços, desnivelamento de terrenos, entre outros, o homem não está resolvendo um problema, porém, criando um outro ainda mais sério. Estas áreas aterradas por lixo, tornam-se inadequadas à recreação e a conservação de zonas silvestres, a não ser quando devidamente tratadas.

Algumas cidades nivelam suas depressões profundas com os refugos criados pela sociedade de consumo; outras entulham tanto lixo que se transformam em verdadeiros montes artificiais, cobrindo-os com terra; porém cada vez mais esta montanha cresce e a quantidade de detritos torna-se diretamente proporcional à tecnologia, o que se torna paradoxal.

Um problema muito sério que enfrenta atualmente os Estados Unidos e outros países chamados "desenvolvidos", é o acúmulo de resíduos sólidos em depósitos ao ar livre ou em recipientes inadequados. Não é apenas problema de estética que essa quantidade de lixo acarreta, mas quando ocorre infiltração por parte de água processando a sua lixiviação, o chorume formado polui os lençóis subterrâneos. Além disso, esses terrenos baldios, verdadeiros depósitos de lixo a céu aberto, produto do desperdício da "Sociedade Moderna", tornam-se locais propícios à proliferação de vetores de elementos patogênicos. Os materiais descartados pela nossa sociedade de consumo apresentam uma vida média bastante variável, conforme se verifica no quadro 01.Quadro 01 - Tempo de degradação de alguns materiais componentes do lixo:

MATERIAIS COMPONENTES

TEMPO DE DEGRADAÇÃO

Fralda descartável

Plástico

Lata de alumínio

Lata de conserva

Náilon

Tampa de garrafa

Madeira pintada

Filtro de cigarro

Pano

Papel

Vidros

Pneus

600 anos

450 anos

200 anos

100 anos

30 anos

15 anos

13 anos

2 anos

1 ano

3 meses

Tempo indeterminado

Tempo indeterminado

 

 

Esses métodos de resolver o problema dos resíduos atualmente estão totalmente ultrapassados, pois a possibilidade de enterrá-lo, representa um método inadequado, além de ser muito caro. Acumulá-lo em depósitos, corre-se o risco de transferir a poluição para as águas, bem como, origina-se a poluição através da poeira. A incineração do lixo é uma forma que a França e outros países da Europa têm adotado em combinação com a produção de energia. Isto seria o ideal, se houvesse um certo cuidado, porque esta atividade pode apenas transferir a poluição terrestre pela do ar.

Portanto, devemos nos convencer de que, ou o homem produz aparelhos, máquinas, embalagens e outros artigos (utensílios), de tal maneira que possam ser reciclados, ou ele vai acabar sentado numa verdadeira montanha de entulhos produzidos por esta sociedade desperdiçadora.

2.2 – Poluição da Água – a contaminação dos lençóis freáticos superficiais e profundos por substâncias originárias de depósitos de resíduos é uma das maiores questões que envolvem a Saúde Pública. Os mananciais contaminados poderão ficar comprometidos por muito tempo e seu uso, pela ingestão direta da água ou do consumo de animais e vegetais aquáticos originários de fontes superficiais contaminadas, poderão comprometer a saúde das populações. Vegetais irrigados com água contaminada por chorume ou despejo de resíduos também poderão causar problemas relacionados com a saúde dos indivíduos.

Destaque-se também, a questão dos resíduos que não são coletados pelo serviço público, quando são depositados de forma incorreta (nos logradouros, rios, valas, sulcos ou regos de escoamento, etc.), contribuem para o entupimento de canais ou galerias que drenam águas pluviais, sendo um dos elementos fundamentais responsáveis pelas inundações que infernizam as cidades em épocas de tempestades e acompanhadas de surtos de leptospirose, entre outras doenças, conforme já referidas.

2.3 – Poluição do Ar – como as anteriormente citadas, este tipo de poluição poderá ocorrer em comunidades situadas próximas aos lixões (tabela 01), produzindo enfermidades do trato respiratório, tanto pela inalação da poeira em suspensão, como pelo efeito irritador de algumas substâncias voláteis que exalam, provocando cefaléia, náuseas e outros malefícios citados anteriormente. Também ocorrem distúrbios relacionados com a visão, uma vez que as substâncias picantes existentes no ar, provocam irritação e conseqüente inflamação das mucosas oculares produzindo uma série de lesões. A fumaça oriunda da queima do lixo irrita os olhos, provocam doenças pulmonares (asma brônquica, etc.) e acelera o envelhecimento.

Tabela 01 – Poluição do Ar Atmosférico Pela Incineração do Lixo, em Comparação

Com Outras Fontes Emissoras de Poluentes.

Fonte Emissora Comprometimento do Ar, em %

Incineração do lixo @ 3%

Usinas térmicas @ 10%

Aquecimento doméstico @ 17%

Motores de combustão @ 60%

FONTE: Fellenberg (1.980).2.4 – Poluição Visual – este tipo de poluição interfere profundamente na saúde e bem-estar das comunidades residentes em regiões próximas aos depósitos de resíduos urbanos e industriais a céu aberto (lixões), provocando impacto visual desagradável e emotivo; onde o mal cheiro produz sensações de medo, nojo e outros sentimentos maléficos para o organismo das pessoas expostas, conforme mencionados.3 – Conclusões – os diversos recursos ambientais são limitados e com o incremento do desperdício terão prazos cada vez menores de extinção. Por isso, a reciclagem é uma forma de adiar este prazo e contribuir de maneira evidente com uma boa política ambiental, com relação aos diversos tipos e graus de poluição, sendo necessária uma consciência coletiva.

Entretanto, a mudança deve partir de cada indivíduo e o ser humano neste início de milênio, deverá ter consciência de que os recursos naturais são finitos e que se forem mal gerenciados, poderão acarretar prejuízos irrecuperáveis. Por causa disso, a preocupação com o esbanjamento tem conquistado cada vez mais adeptos. No Brasil a cultura do desperdiçamento pode ser explicada pela baixa tecnologia que faz uso inadequado dos recursos, baixo nível de educação, mão-de-obra mal treinada e que adotam técnicas inadequadas ou obsoletas, o controle e o gerenciamento.

Além disso, deve-se refletir sobre o modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil, mas que é também mundial e está associado ao consumismo, e levando ao desperdício. Só que atualmente estamos chegando ao mesmo problema dos países mais desenvolvidos: o preço do terreno é muito alto e as pessoas não querem um aterro sanitário ao lado de suas casas, sendo necessário, portanto, reduzir a quantidade de lixo. Para isto, é necessário educar, para que novos valores sejam obtidos e, com isto, reduzir cada vez mais a geração de resíduos. Também existe fraca percepção da importância do investimento no ser humano, gerando desperdício social.

No entanto, vive-se num mundo em que a competição esta cada vem mais ditando as regras e com isso ajuda a perceber a falta do sentido do desperdício em vários setores. Na empresa, é a necessidade de aumentar os lucros ou de sobreviver; na sociedade, é a pressão por serviços adequados e universais; na produção em geral, é à busca de novos materiais e tecnologias mais avançadas. Além disso, "a expansão urbana acelerada está forçando a administrador público a se preocupar com o ambiente e a criar políticas para preservar os bens naturais da região".

 

Maceió, Outubro de 2.009.

Profo Mário Jorge Martins.

Professor Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) – Brasil.

 

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