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Problemas Ecológicos Globais – III Imprimir E-mail

(Poluição Ambiental Natural)

(Editorial de Novembro de 2.009)

 

1 – Introdução – antes de analisarmos detalhadamente os principais fatores da poluição ambiental, queremos lembrar que ao lado do comprometimento antropogênico do meio ambiente, existe também uma poluição ambiental natural, não provocada pelo homem, e que freqüentemente não é levada em consideração. Por causa da ocorrência de uma poluição natural, o comprometimento do homem pelos fatores poluentes antropogênicos é ainda mais acentuado. Aqui se incluem a formação de nuvens de pó nas regiões desérticas, espalhamento do pólen e desprendimento de substâncias tóxicas por certas plantas, um fator que deve ser levado muito a sério.

2 – Tipos de Poluentes Aéreos – existem fundamentalmente três componentes que são os principais responsáveis pela poluição não-antropogênica do ar atmosférico: pó, pólen e esporos e óleos essenciais. A ação da poeira será comentada mais adiante, junto com a poluição antropogênica do ar, já que o pó oriundo do cosmo participa de maneira diminuta na poluição total da atmosfera por poeiras, e já que é muito difícil avaliar a proporção de poeira de origem natural nesta poluição atmosférica por poeiras.2.1 – Grãos de Pólen – um componente bem característico da poluição atmosférica natural é o pólen de certas plantas fanerógamas polinizadas por ação do vento, pois os esporos de fungos e musgos tem importância reduzida. Com condições meteorológicas favoráveis (ventos e tempo seco), o pólen é transportado através do ar a longas distâncias, que por possuir um diâmetro de 10 a 50 mm estas partículas são muito leves e pequenas. Em pessoas sensíveis, o pólen pode provocar reações alérgicas na mucosa do nariz e no tecido conjuntivo dos olhos, o que se manifesta através de inflamações e secreções de mucos.

Este tipo de alergia é conhecido pelo nome não muito apropriado de "febre do feno" (as alergias são tidas como reações antígeno-anticorpo, que são desencadeadas não só por proteínas, mas também por outras substâncias ou partículas). No decorrer da primavera e do verão, florescem sucessivas plantas fanerógamas, como coníferas, gramíneas e certas compostas. Como os diferentes tipos de pólen não atuam igualmente sobre todas as pessoas, diferentes grupos de pessoas serão atacados pela "febre do feno" no decorrer do ano. Em épocas de chuva, a alergia ao pólen diminui, pois devido à umidade as partículas de pólen precipitam, diminuindo a sua concentração na atmosfera.

Devido ao seu reduzido tamanho, podem ser levados pelo vento a longas distâncias e atingir mais de 10 km de altitude. Os grãos de pólen são responsáveis por muitas reações alérgicas. A alergia é, portanto, uma reação que certos indivíduos apresentam quando expostos a agentes denominados alérgenos ou antígenos. Essa exposição leva à formação de substâncias específicas (anticorpos) contra eles pelo organismo. É a interação entre o antígeno e o anticorpo que produz a reação apresentada pelas pessoa sensível.

Uma das causas principais das reações alérgicas é a liberação de histamina ou substâncias similares por determinadas células do organismo. A alergia se manifesta sob as mais variadas formas, como asma, urticária, edemas, problemas intestinais, febre, coriza, entre outros sinais e sintomas. Existem pessoas alérgicas a grãos de pólen, esporos de fungos, poeira, fumaça de cigarro, perfumes, emanações de certas plantas e inúmeras outras substâncias. Os grãos de pólen e os esporos provocam um tipo de alergia denominada polinose.

Existem polinoses do verão e da primavera, dependendo do período em que as plantas elaborem e eliminem seus grãos de pólen. Em pessoas sensíveis, o pólen pode provocar reações alérgicas na mucosa do nariz e no tecido conjuntivo dos olhos, o que se manifesta através de inflamações e secreções de mucos.

Entretanto, além das alergias, existem vários elementos patogênicos para o homem, tais como esporos de fungos, cistos e ovos de parasitos intestinais, que são transmitidos pelo ar; podendo estabelecer enfermidades, tais como a ascaridíase, a febre Q, a blastomicose, a ceratoconjutivite infecciosa, a coccidioidomicose, o tétano, o sarampo, a coriomeningite linfocítica, a criptococose a diarréia por Escherichia coli enteropatogênica, as estreptococcias, a histoplasmose, a nocardiose, o tifo exantemático, o tifo epidêmico, a tuberculose e as viroses do trato respiratório.

Os ovos do Ascaris lumbricoides (lombriga) podem ser transmitidos pela poeira para o interior das habitações, alimentos, água. Junto com o pó são levados os esporos dos fungos Blastomyces, Coccicioides, Criptococcus, Histoplasma e Nocardia. Secreções oculares de doentes podem transmitir a ceraconjuntivite; gotículas de saliva transmitem a estreptococcia e o sarampo; fezes dessecadas de pulgas infectadas transmitem o tifo; junto com a poeira, partículas de alimentos, felpas de roupas de cama e de lenços, podem ser transmitidos os agentes da corinomeningite, da diarréia, das estreptococcias, das viroses das vias respiratórias, do tétano, as riquétsias causadoras da febre Q. A transmissão da tuberculose se processa especialmente por via aérea, mas o contágio pela poeira é felizmente muito pequeno, sem importância.

As alergias ao pólen, bastante incômodas, são combatidas por injeções de anti-histamínicos como difenidramina ou piribenzamina. Com concentrações altas de pólen, estas drogas não levam à cura, agindo somente como paliativo.2.2 – Terpenos – um tipo bem menos conhecido de poluição atmosférica se origina nas coníferas. Estas apresentam a capacidade de acumular óleos etéreos (terpenos e terpenóides) no tronco e nas folhas. Quimicamente trata-se de terpenos e ésteres, sendo estas substâncias responsáveis pelo cheiro característico observado em florestas de coníferas.

Em regiões muito secas e quentes, como por exemplo, nas regiões limítrofes do deserto de Nevada (Estados Unidos), as coníferas desprendem uma quantidade tão grande de terpenos, que estes se acumulam na atmosfera e, através de reações fotoquímicas, levam à formação de partículas semelhantes a uma neblina ou névoa. Como conseqüência, pode ocorrer a formação de verdadeiras cúpulas de névoa semelhantes ao smog verdadeiro.

Sobre as florestas de coníferas da Europa não é possível a formação de tal smog de terpenos. A intensidade dos raios solares é menor, com o que há menor desprendimento de terpenos na atmosfera. Além disso, no úmido clima europeu, estas substâncias rapidamente se decompõem rapidamente em substâncias inofensivas. Na Europa Central, portanto, dois fatores agem contra o aumento da concentração atmosférica de terpenos prejudiciais à saúde, não ocorrendo a formação de névoa destes produtos.2.3 – Microorganismos – estes, participam da contaminação ambiental em grau bem mais acentuado que os vegetais superiores. A rigor deveriam ser incluídos aqui todos os tipos patogênicos de microorganismos, parasitos de vegetais superiores, de animais e do homem. Dada a sua vastidão, este campo não será aqui abordado; entretanto, queremos mostrar, através de alguns exemplos, que existem microorganismos que segregam substâncias tóxicas aos vegetais superiores, aos animais e ao próprio homem. Estas toxinas prejudicam organismos superiores, mesmo na ausência completa de parasitismo. Muitas destas substâncias foram isoladas de fungos (micotoxinas) e de algas (fitoplancto-toxinas).

Existem micotoxinas patogênicas para o homem e aquelas causadores de doenças em vegetais superiores. Neste estudo, iremos considerar apenas as micotoxinas patogênicas para o homem. O ergotismo é uma doença conhecida há pelo menos 2.000 anos. Trata-se de uma doença que se manifesta através de fraqueza muscular, tremores, vômitos, vertigens e delírios. Em um estágio avançado ocorre perda de dedos e artelhos. Por volta de 1.670 constatou-se que esta doença, que ocorria periodicamente na Idade Média, era devida à ingestão da cravagem (também denominada fungão, morrão ou esporão do centeio) do centeio. O esporão do centeio são grãos de centeio atacados por um fungo, Claviceps purpurea, que provoca aumento de tamanho, endurecimento e escurecimento dos grãos. Este fungo contém, como hoje se sabe, uma série de alcalóides que derivam todos do ácido lisérgico. Entre esses alcalóides está a ergotamina, hoje empregada para fins medicinais.

Desde que se conhece o perigo do esporão, ele é simplesmente eliminado por peneiração dos cereais. Da cravagem podem ser extraídos medicamentos ativos contra hemorragias do útero, hipertensão e cefaléia. Atualmente são conhecidas cerca de 200 espécies de fungos que segregam substâncias tóxicas para os animais e ao homem. Como praticamente qualquer alimento pode servir de substrato para um destes fungos, todos os alimentos contaminados com fungos devem ser encarados como portadores potenciais destas micotoxinas.

Dentre a grande variedade de toxinas hoje conhecidas, merecem especial atenção as aflatoxinas, aparentemente muito espalhadas. Essas toxinas chamaram atenção somente por volta de 1.960, quando na Inglaterra ocorreu uma intoxicação em massa de aves, morrendo em uma semana cerca de 100.000 perus e numerosas outras aves. Esta então misteriosa "doença dos perus" (Turkey-X-disease) se caracteriza por danos graves no fígado, bem como alterações no funcionamento dos rins e baço. Verificou-se mais tarde que todos estes animais tinham sido alimentados por rações alimentadas por um bolor amarelo, o Aspergillus flavus. As toxinas segregadas por este fungo, chamadas aflatoxinas (toxinas do Aspergillus flavus), foram as responsáveis pela morte das aves, como se verificou experimentalmente a seguir. Intoxicações semelhantes foram também observadas no homem, e no Canadá, toda uma família foi internada com manifestações toxicas. O estudo do caso levou à constatação de que esta família havia se alimentado de massas contaminadas com Aspergillus flavus. Supõe-se atualmente que por trás de muitos casos de câncer no estômago e do fígado está uma intoxicação, com aflatoxinas ou outras micotoxinas.

Fungos produtores de aflatoxinas podem se desenvolver em quase todos os alimentos, mas alguns alimentos, quando atacados pelo fungo, acumulam quantidades particularmente elevadas de aflatoxinas. A formação de aflatoxinas não depende da natureza do substrato, da velocidade de crescimento do fungo. O crescimento mais acentuado e, consequentemente, a maior formação de aflatoxina ocorrem cerca de 30º C e 75% de umidade relativa do ar.

Os alimentos contaminados com aflatoxinas não são mais aproveitáveis, pois este grupo de micotoxinas resiste ao calor, e não são destruídas nem por fervura, nem por cozimento. Também não basta remover o fungo dos alimentos, pois as aflatoxinas se difundem para o interior do substrato. Em queijos e em pães, comprovou-se experimentalmente a presença de aflatoxinas até alguns cm abaixo da superfície contaminada.2.4 - Poeira - a denominação "poeira" pode ser entendida como partículas sólidas finamente divididas (corpúsculos coloidais) de dimensões que vão de 01 a 100 nanômetros (nm). Essas pequenas partículas de matéria produzidas geralmente pela desintegração de um sólido podem, acima de um determinado tamanho e peso depositarem-se com rapidez, porém as que permanecem em suspensão por certo período de tempo são as mais importantes do ponto de vista de saúde pública, de vez que podem ser inaladas. As partículas de pó com mais de 10 mm de diâmetro geralmente não alcançam os bronquíolos mais profundos. Entretanto, devem-se diferenciar partículas de origem metálica das não-metálicas, pois o mecanismo de atuação é diferente em cada situação.

Paralelamente, a atmosfera é continuamente atingida pela poeira cósmica, entretanto, a sua quantidade é bastante reduzida quando comparada com o montante de poeira antropogênica. De acordo com as estimativas, penetram anualmente na atmosfera cerca de 1.000 toneladas de poeira cósmica, ao passo que o pó de origem industrial atinge, só na República Federal da Alemanha, quantidades da ordem de 2,5 milhões de toneladas.

A poeira de origem antropogênica será discutida em outra oportunidade, pois foge do objetivo deste trabalho.

Maceió, Novembro de 2.009.

Profo Mário Jorge Martins.

Professor Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) – Brasil.

 

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