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Controle Biológico dos Caracóis Africanos Imprimir E-mail
O caracol-africano (erroneamente chamado de caramujo), Achatina fulica, Bowdichi, 1.822, é um molusco terrestre com respiração pulmonar, originário de Leste e Nordeste da África, disseminando-se por praticamente todos os países tropicais e subtropicais localizados nas regiões dos oceanos Índico e Pacífico nos últimos dois séculos, além de diversas regiões da Europa, Américas (do Norte, Central e do Sul – incluindo o Brasil). Ao longo dos anos, vem se tornando uma importante praga agrícola devorando jardins e plantações, tornando-se ao mesmo tempo um problema sócio-econômico e de Saúde Publica para algumas populações das regiões reportadas.
Como problema de Saúde Pública já existe em alguns países da América Central e da África, por albergar como hospedeiro intermediário às espécies Angiostrongylus costaricencis (Morera & Céspedes, 1.971), e Angiostrongylus cantonensis (Chen, 1.935), vermes nematódeos que podem infectar o homem e produzir enfermidades. O primeiro foi o responsável por casos de enfermidades registrados no Brasil, apresentando os pacientes sintomas de angiostrongilíase abdominal e assemelhando-se aos casos de apendicite aguda e, quando acompanhados de obstrução e/ou perfuração intestinal, aos tumores do trato digestório, o que pode levar a um tratamento cirúrgico. O segundo produz uma enfermidade do sistema neural caracterizada por uma meningoencefalite eosinofílica que será visto posteriormente.
Tornou-se também um grande problema do ponto de vista sócio-econômico por devorar praticamente tudo que encontra em seu caminho, desde hortas, pomares e jardins, até a agricultura, especialmente a de subsistência, que representa a sobrevivência dos pequenos agricultores deste país. No Brasil, embora tenha se conseguido a infecção experimental de caracóis Achatina fulica por esses vermes parasitos laboratorialmente, ainda não foi constatada em caracóis infectados naturalmente.
Este projeto tem por objetivo, o controle biológico desse caracol, sendo uma maneira de monitorar e evitar a proliferação desenfreada do molusco, de maneira menos agressiva ao ambiente. A invasão desses moluscos no Brasil se deve ao homem (desde a década de 1.980), que ao tentar comercializá-los, lançou-os na natureza sem os devidos cuidados, seja por irresponsabilidade ou falta de conhecimento técnico.
Sem predadores naturais, o Achatina se prolifera velozmente, podendo cada caracol produzir até 3 mil ovos por ano e alimentando-se de praticamente tudo, desde pomares, hortas, jardins e agricultura de subsistência (desde milho, feijão e fava, até mesmo a palma da alimentação de bovinos).
A pesquisa inclui a verificação de parasitos no molusco (potencial vetor, confirmado apenas laboratorialmente no Brasil), como também a contaminação ambiental por poluentes como pesticidas, herbicidas, fertilizantes, metais pesados, além de coliformes fecais, Salmonellas e outras bactérias causadoras de doenças. O projeto irá contemplar todas as 13 regiões de Alagoas, praticamente a metade do Estado, especialmente as zonas da Mata, Litoral e Agreste. Nos demais municípios, será verificada a ocorrência do referido molusco e em casos excepcionais, serão inseridos no contexto desse projeto.
Esta pesquisa, objetiva estudar os caracóis em praticamente todas as suas dimensões, assim sua relação com os demais hospedeiros-reservatórios dos citados parasitos, divulgando os dados pesquisados sobre estas pragas no Estado de Alagoas e em consonância com os demais estados da federação e especialmente sobre o Achatina fulica, uma das grandes pragas nacionais no momento, com a finalidade de chamar a atenção para as autoridades competentes.
Mas o grande objetivo final provavelmente ocorrerá sob a forma de recomendar a população a utilizar o caracol africano como fonte de alimento, depois de um minucioso estudo sobre o o mesmo e por ser um potencial hospedeiro dos parasitos supracitados, como também estudos bromatológicos (pesquisa de metais pesados, inseticidas, herbicidas e fertilizantes – nitratos e fosfatos), microbiológicos (presença de coliformes fecais), bioquímicos (principalmente, estudos de suas diversas proteínas e aminoácidos – especialmente, os essenciais); culminando num grande seminário e com ampla divulgação dos resultados nos veículos de comunicação do Estado e do Brasil.
Assim, esperamos que o grande retorno desse trabalho será a recomendação para servir com uma forma alternativa de uma alimentação rica em proteínas para suprir as necessidades de uma população muito pobre e carente, num Estado onde existe uma percentagem enorme de miseráveis.
Por isso mesmo, esse projeto foi considerado “ambicioso”, pois não só objetiva o controle do gigante africano, mas é essencialmente um projeto ambiental, econômico-social e político, pois na busca de seu controle de forma biológica (natural), a população poderá, eventualmente, se alimentar destes caracóis, já que, de acordo com algumas pesquisas, possuem um elevado teor de aminoácidos essenciais e sais minerais.
É importante salientar que, de maneira alguma, está se afirmando que a população deva, nesse momento, sair por aí coletando caramujos para fins alimentícios. O projeto, ainda irá estudá-lo e somente no final da pesquisa é que será informada à população o tipo de alternativa alimentar. Caso ele não sirva para a alimentação humana, poderá ser utilizado como ração para animais como cães, gatos e outros animais.
Assim, esperamos que esta recomendação seja uma saída para atenuar um regime alimentar deficiente de proteínas, diminuindo substancialmente a população de desnutridos e famintos deste “Pequeno e Pobre Estado” e quem sabe deste “Grande País Rico, mas com uma Nação de Miseráveis”. Acredito neste trabalho, por que espero que através dele, possamos romper as paredes do laboratório, através dessa possível alternativa alimentar e conseqüentemente, seu controle ambiental através do uso pela população. Nesse caso, o controle favorecerá a todos: a população faminta, agricultores (pelos estragos que os caracóis fazem na agricultura), donos de hortas e pomares, e enfim, o ambiente, pois este também é um programa eminentemente ecológico.
O objetivo primordial deste trabalho é tornar-se um fator importante em busca de soluções ambientais (controlando o caracol, esta praga agrícola) e práticas nutricionais para que possamos contribuir decisivamente para a sobrevivência física da base da pirâmide social que sempre esteve e continua órfã de governos e submetida aos processos atuais globalizantes, causadores e mantenedores de miséria e de desigualdades sociais, incluindo-se nesse processo os pequenos proprietários rurais, eternamente em desvantagem em relação às forças produtivas globais, cartéis e monopólios efetivos.
Portanto, estamos diante de um projeto: econômico, social, político e ambiental.

Maceió, Julho de 2.011

Autor: Mário Jorge Martins.
Profo. Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL).
Mestre em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Médico da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).

 

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